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O sentimento de impotência na doença

ACONSELHAMENTO

Giacomo Di Falco, psico-oncologista

Por: Giacomo Di Falco, psico-oncologista

Publicado il y a 28 dias

O sentimento de desamparo é um companheiro amargo que, infelizmente, as pessoas com doenças crônicas conhecem muito bem. Isso vale para o câncer, mas também para uma série de outras doenças como asma, eczema, psoríase, esclerose múltipla, DPOC... A sensação de impotência está diretamente ligada à como percebemos nossa incapacidade de agir sobre os acontecimentos que ocorrem em nossa realidade. Neste caso: o diagnóstico e os tratamentos fazem parte desse caminho em busca do cuidado que, às vezes, é repleto de armadilhas.

 

O que importa saber é que esse sentimento de desamparo está intimamente ligado ao sentimento de perda de controle. E na doença crônica, muitas vezes isso resulta em um sentimento de frustração, raiva ou mesmo ansiedade. Como o filósofo Frédéric Lenoir nos faz entender, é sempre quando nos recusamos a abrir mão de algo que está além do nosso controle que nos sentimos impotentes. E ainda, trabalhar para “deixar ir” requer um esforço real, não é como não fazer nada, é em si uma ação. É deixar de acreditar que podemos pegar algo que está constantemente escorrendo por entre os dedos, como água passando por um coador.

 

Muito, mas muito raramente temos controle sobre os eventos na realidade. Saber distinguir o que está em nosso poder do que está além do nosso controle pode ser um ato muito mais poderoso do que continuar se agarrando a uma ilusão de controle. É precisamente aqui que está a chave! A ilusão de controle é um mecanismo bem conhecido na psicologia desde a pesquisa da psicóloga Ellen Langer na década de 90. É a tendência que todos temos de superestimar a influência que temos sobre os acontecimentos. Por exemplo, pode ter acontecido com você, um dia em que você estava com pressa, de apertar o botão de chamada de um elevador várias vezes freneticamente, como se isso fizesse ele chegar mais rápido. 

 

Você sabe no fundo que isso não vai mudar nada, e ainda assim você faz isso de qualquer maneira: é precisamente a ilusão de controle. Um gesto, uma ação que vai na direção do que você quer, mas que não terá outro impacto na sua vida a não ser gastar sua energia. No entanto, você certamente precisará de energia para se curar. 

 

Não entre em pânico!

 

Podemos trabalhar para sair dessa ilusão de controle de diferentes maneiras: 

 

- Existem certas pessoas e certas atividades que podem nos ensinar a conviver com essas coisas que lhe escapam do controle. Na verdade, trata-se de aprender a recuperar uma forma real de controle, deixando de lado a outra forma ilusória: aprender a controlar o que podemos controlar, ou seja, os nossos pensamentos, ao invés de eventos e outras pessoas.  

 

Alguns profissionais paramédicos, como psicólogos ou sofrologistas, podem ensinar a tornar possível o que hoje parece impossível para você. Porque se o controle é uma ilusão, isso significa que a impotência também é. Os profissionais de meditação também podem ensinar a desenvolver recursos psicológicos que você pode não ter imaginado possíveis. 

  

- Da mesma forma, você pode se treinar para estar atento(a) a essas coisas quando um pequeno ou grande evento acontecer com você. Faça a si mesmo esta simples pergunta:

“Posso fazer algo sobre isso ou não?”

  

Nem sempre você vai encontrar uma resposta para essa pergunta, mas logo entenderá que é útil perguntar a si mesmo(a) de qualquer maneira. O que importa não são as respostas, mas as perguntas que fazemos a nós mesmos, que nos levam a poder escolher tomar um caminho e não outro. Isso tudo faz parte do trabalho, porque ao se fazer essa pergunta, seu cérebro vai se calibrar cada vez mais, e aos poucos você vai conseguir evitar ficar tenso(a) com coisas que não pode controlar, deixando de gastar sua preciosa energia à toa. 

É sua vez! Quais são as perguntas não respondidas que você tem a fazer? Quais podem te dar asas ao invés de te sobrecarregar? 

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